
Exaustor axial ou centrífugo: a escolha depende da resistência que o ar encontra no caminho. O exaustor axial move grandes volumes de ar com pouca perda de carga, como na renovação de ar de galpões. O exaustor centrífugo gera pressão para vencer dutos longos, captores, filtros e lavadores de gases.
Este artigo compara os dois tipos com os dados das linhas Tecnolatina e mostra como chegar à escolha certa para a sua instalação.
Como cada um movimenta o ar
O exaustor axial é um exaustor em que o ar atravessa a hélice paralelamente ao eixo e segue em linha reta. A construção é simples e leve, e a hélice desloca muito ar a cada volta, mas gera pouca pressão.
O exaustor centrífugo é um exaustor em que o ar entra pelo centro do rotor e é lançado para a periferia. A carcaça em espiral, chamada voluta, recolhe esse ar, converte parte da velocidade em pressão e o conduz até a boca de descarga. Essa mudança de direção é o que permite ao centrífugo trabalhar contra resistências maiores.
Vazão e pressão: o ponto de operação decide
Todo exaustor trabalha num ponto de operação: a vazão que ele entrega com a pressão que a instalação exige. Essa pressão é a soma das perdas de carga do sistema, medida em mmCA (milímetros de coluna d'água). Cada metro de duto, cada curva, tela, veneziana, filtro ou lavador acrescenta perda de carga.
Os números das linhas Tecnolatina mostram a diferença de faixa:
| Característica | Exaustor axial | Exaustor centrífugo TCI |
|---|---|---|
| Vazão | 1.560 a 35.100 m³/h (acionamento direto) | 500 a 60.000 m³/h (TCI-AC e TCI-AI); 500 a 40.000 m³/h (TCI-PP) |
| Pressão (axial: referência; centrífugo: máxima) | Pontos de operação de 3 a 24 mmCA (direto) e de 7,5 a 22 mmCA (transmissão) | Até 300 mmCA (TCI-AC e TCI-AI); até 200 mmCA (TCI-PP) |
| Acionamento | Direto ou por polias e correias | Direto ou por transmissão |
| Instalação típica | Parede, cobertura ou trecho curto de duto | Redes de dutos com captores, filtros e lavadores |
Os valores do axial são pontos de operação de referência da tabela de modelos; a vazão real cai quando a perda de carga da instalação aumenta.
Quando escolher o exaustor axial
- Renovação de ar e retirada de calor em galpões, depósitos e áreas de produção, com o ar saindo direto por uma parede ou pela cobertura.
- Exaustão geral, em que o objetivo é trocar o ar de todo o ambiente, e não captar um contaminante na fonte.
- Trechos curtos de duto, quando a perda de carga calculada fica dentro dos pontos de operação da tabela.
- Ar limpo ou pouco agressivo. Se o ar é quente, úmido ou carrega poeira e fumos, o exaustor axial com transmissão mantém o motor fora do fluxo.
A linha de exaustores e ventiladores axiais industriais da Tecnolatina tem diâmetros de Ø300 a Ø1000 mm, em versões tubular, de parede e de cobertura.
Quando escolher o exaustor centrífugo
- Captação localizada: coifas, captores e braços de aspiração junto à fonte de fumos, poeiras ou vapores, ligados por uma rede de dutos.
- Sistemas com tratamento do ar: o exaustor precisa vencer a perda de carga de filtros ou de um lavador de gases antes da descarga.
- Gases e vapores agressivos: o material da carcaça e do rotor é escolhido conforme o processo, em polipropileno, aço carbono ou inox, sempre com avaliação de compatibilidade química.
- Transporte de material: serragem, pó e particulados em sistemas pneumáticos, com rotor de pás radiais quando há material abrasivo.
O exaustor centrífugo industrial TCI é fabricado em três materiais: TCI-PP (polipropileno), TCI-AC (aço carbono) e TCI-AI (aço inoxidável). A faixa de temperatura vai de −30 °C a +80 °C no aço carbono e no inox, e de −10 °C a +60 °C no polipropileno.
Exemplo prático: duas instalações, duas escolhas
Galpão com calor acumulado
Um galpão precisa retirar cerca de 35.000 m³/h de ar quente, com saída direta pela parede, sem dutos. A perda de carga é só a da tela e da abertura. Um exaustor de parede de Ø1000 mm e 8 polos entrega 35.100 m³/h a 8 mmCA no ponto de referência da tabela, com motor de 4 cv, desde que a perda de carga da tela e da abertura fique dentro desse ponto. Como a folga sobre os 35.000 m³/h é pequena, a engenharia confirma a seleção. Aqui o axial é a escolha natural: muita vazão, pouca pressão, instalação simples.
Tanques de processo com névoa ácida
Uma linha de tanques de galvanoplastia precisa captar névoa ácida na borda de cada tanque, levar o ar por dutos com curvas até um lavador de gases e só então descarregar. A soma das perdas de carga dos captores, dos dutos e do lavador define a pressão exigida. Quando essa soma fica acima dos pontos de operação da tabela axial, o centrífugo passa a ser o caminho natural, e a engenharia confirma pela curva do equipamento. O centrífugo, com pressão estática de até 200 mmCA no TCI-PP, é o equipamento usual para esse sistema, com o polipropileno avaliado conforme a composição, a concentração e a temperatura da névoa.
Erros comuns na escolha
- Escolher só pela vazão do catálogo. Um axial instalado numa rede de dutos longa entrega bem menos que a vazão da tabela.
- Ignorar o ar que passa pelo motor. Em ar quente, úmido ou contaminado, o motor no fluxo exige avaliação; a transmissão por polias tira o motor do caminho do ar.
- Esquecer a reposição de ar. Todo ar retirado precisa entrar por algum lugar. Sem entradas de ar, qualquer exaustor perde vazão.
- Tratar o material como solução universal. Polipropileno e inox não são compatíveis com todos os agentes químicos; a compatibilidade depende do processo.
Quais dados enviar para a seleção
- Vazão de ar desejada ou, em captação localizada, os pontos de captação e suas dimensões.
- Traçado e diâmetro dos dutos, curvas, filtros, lavadores e demais componentes no caminho do ar.
- O que o ar transporta: calor, umidade, poeira, fumos, gases ou vapores, com as concentrações conhecidas.
- Temperatura máxima do ar, inclusive nos picos do processo.
- Regime de operação e alimentação elétrica disponível no local.
Confirme a escolha com a engenharia
Na dúvida entre exaustor axial ou centrífugo, o caminho é calcular a perda de carga da instalação e comparar com o ponto de operação de cada modelo. Envie os dados acima à engenharia da Tecnolatina: ela indica o tipo de exaustor, o modelo, o material e o acionamento que atendem o seu processo.



